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    JULIENNE-MARIE, a mendiga

    Na comuna de Villate, perto de Nozai (Loire-Inferior), havia uma pobre mulher
    de nome Julienne-Marie, velha, enferma, vivendo da caridade pública. Um dia caiu
    num poço, do qual foi tirada por um conterrâneo, A…, que habitualmente a
    socorria. Transportada para casa, aí desencarnou pouco tempo depois, vítima
    desse acidente. Era voz geral que Julienne tentara suicidar-se. Logo no dia do
    seu enterro, a pessoa que lhe acudira, e que era espírita e médium, sentiu como
    que um leve contacto de pessoa que estivesse próxima, sem que procurasse
    explicar-se a causa desse fenômeno. Ao ter ciência do trespasse de
    Julienne-Marie, veio-lhe ao pensamento a visita possível do seu Espírito. A
    conselho dum seu amigo da Sociedade de Paris, a quem tinha informado da
    ocorrência, fez a evocação com o fito de ser útil ao Espírito, não sem que
    pedisse previamente o conselho dos seus protetores, que lhe deram a seguinte
    comunicação:

    “Poderás fazê-lo e com isso lhe darás prazer, conquanto se torne
    desnecessário o benefício que tens em mente prestar-lhe.

    “Ela é feliz e inteiramente devotada aos que se lhe mostraram compassivos. Tu
    és um dos seus bons amigos; ela quase que te não deixa e contigo se comunica
    muitas vezes, sem que o saibas. Cedo ou tarde os serviços são recompensados, e,
    quando o não sejam pelo próprio beneficiado, sê-lo-ão pelos que por ele se
    interessam, antes e depois da morte. Se acaso o Espírito do beneficiado não
    tiver ainda reconhecido a sua nova situação, outros Espíritos, a ele simpáticos,
    vêm dar o testemunho de sua gratidão.

    “Eis aí o que te pode explicar a sensação que tiveste no dia mesmo da
    passagem de Julienne-Marie.

    “Agora, será ela a auxiliar-te na prática do bem. Lembra-te do que disse
    Jesus: Aquele que se humilhar será exaltado. Tu verás o serviço que esse
    Espírito poderá prestar-te, desde que lhe peças assistência com o intuito de ser
    útil ao próximo.”

    Evocação: – Boa Julienne, sei que sois feliz e é tudo quanto desejava saber;
    isso não impede, porém, que de vós me lembre muitas vezes, bem como de não vos
    esquecer nas minhas preces.

    – R. Tem confiança em Deus, procura inspirar aos teus doentes uma fé sincera,
    porque assim alcançarás sempre o que desejares. Não te preocupes jamais com a
    recompensa, porque ela será sempre superior ao que podes esperar. Deus sabe
    recompensar justamente a quem se dedique ao alívio dos seus irmãos, inspirado
    por absoluto desinteresse. A não ser assim, tudo é ilusão, é quimera. É preciso
    ter fé antes de tudo, pois de outro modo nada se conseguirá. Lembra-te desta
    máxima e ficarás admirado dos seus resultados. Os dois doentes que curaste são a
    prova do que te afirmo, pois, no estado em que estavam, só com remédios nada
    terias conseguido. Quando implorares permissão a Deus para que os bons Espíritos
    te transmitam fluidos benéficos, se não sentires um estremecimento involuntário,
    é que a tua prece não foi bastante fervorosa para ser ouvida. É só nestas
    condições que a prece pode tornar-se valiosa. Nem outra coisa resulta de dizer:
    “Deus Todo-Poderoso, Pai de bondade e misericórdia infinita, permiti que os bons
    Espíritos me assistam na cura de… Tende piedade dele, Senhor; restitui-lhe a
    saúde, porque, sem vós, eu nada posso fazer. Seja feita a vossa vontade.” Tens
    feito bem em não desdenhar os humildes; a voz daquele que sofreu resignadamente
    as misérias desse mundo, é sempre ouvida, e nenhum serviço deixa jamais de ser
    recompensado. Agora, uma palavra a meu respeito, confirmativa do que acima te
    disse: O Espiritismo te explica a minha linguagem de Espírito, sem que aliás me
    seja preciso entrar em minúcias a tal respeito. Outrossim, julgo inútil falar-te
    da minha existência anterior. A situação em que me conheceste na Terra far-te-á
    compreender e julgar as precedentes encarnações, nem sempre isentas de mácula.
    Condenada a uma existência miserável, enferma, inválida, mendiguei em toda a
    minha vida. Não acumulei dinheiro, e na velhice as parcas economias não passavam
    de uma centena de francos, reservados para a hipótese de ficar chumbada no
    leito, entrevada.

    Deus, julgando suficiente a expiação e a prova, deu-lhes um termo,
    libertou-me da vida terrestre sem sofrimentos, porquanto não me suicidei, como a
    princípio julgaram.

    Desencarnei subitamente à borda do poço, quando a Deus enviara da Terra a
    minha última prece. Depois, pela declividade do terreno, meu corpo resvalou
    naturalmente.

    Não sofri ao dar-se o meu trespasse, e sou feliz por ter cumprido a minha
    missão sem vacilações, resignadamente. Tornei-me útil na medida das minhas
    forças, evitando sempre prejudicar os meus semelhantes. Hoje recebo o prêmio e
    dou graças a Deus, ao nosso Divino Mestre, que mitiga o travo das provações,
    fazendo-nos esquecer, quando encarnados, as faltas do passado, ao mesmo tempo
    que nos põe sobre o caminho almas caridosas, outros tantos auxiliares que
    atenuam o peso, o fardo das nossas culpas anteriores. Persevera tu também, que,
    como eu, serás recompensado. Agradeço-te as boas preces e o serviço que me
    prestaste. Jamais o esquecerei. Um dia nos tornaremos a ver e muitas coisas te
    serão explicadas, coisas cuja explicação hoje seria extemporânea. Fica certo
    somente da minha dedicação, de que estarei ao teu lado sempre que de mim
    precisares para aliviar os que sofrem.

    A mendiga velhinha. Julienne-Marie.

      Nota – Evocado a 10 de junho de 1864, na Sociedade de Paris, o Espírito
      Julienne ditou a mensagem seguinte:

    “Caro presidente: obrigada por quererdes admitir-me ao vosso centro.
    Previstes, sob o ponto de vista social, a superioridade das minhas antecedentes
    encarnações, pois, se voltei à Terra com a prova da pobreza, foi para punir-me
    do vão orgulho com o qual repelia os pobres, os miseráveis. Assim, passei pela
    pena de talião, fazendo-me a mais horrenda mendiga deste país; mas, ainda assim,
    como que para certificar-me da bondade de Deus, nem por todos fui repelida: e
    esse era todo o meu temor. Também foi sem queixumes que suportei a provação,
    pressentindo uma vida melhor, da qual não mais tornaria ao mundo do exílio e da
    calamidade. Que ventura a desse dia em que a nossa alma rejuvenescida pode
    franquear a vida espiritual para aí rever os seres amados! Sim, porque também
    amei e considero-me feliz pelo encontro dos que me precederam.

    “Obrigada a A…, esse bom amigo que me facultou a expressão do
    reconhecimento. Sem a sua mediunidade eu não lhe poderia provar, agradecida, que
    minha alma não se esquece das benéficas influências de um coração bondoso, qual
    o seu, recomendando-lhe que procure progredir em sua divina crença. Já que ele
    tem por missão regenerar as almas transviadas, que fique bem certo do meu
    auxílio. E eu posso retribuir-lhe pelo cêntuplo o que por mim fez, instruindo-o
    na senda que percorreis. Agradecei ao Senhor o permitir que os bons Espíritos
    vos orientem, a fim de animardes o pobre nas suas mágoas, e deterdes o rico em
    seu orgulho. Capacitai-vos de quanto é vergonhosa a repulsa para com os
    infelizes, servindo-vos o meu exemplo, a fim de evitardes o retorno à Terra, em
    expiação de faltas, nas dolorosas posições sociais que vos coloquem tão baixo a
    ponto de serdes considerado escória da sociedade. Julienne-Marie.”

    Transmitida a A… esta comunicação, ele por sua vez obteve a que se segue, o
    que é aliás uma confirmação:

    – P. Boa Julienne, uma vez que é vosso desejo auxiliar-me com os vossos
    conselhos, a fim de que me adiante em nossa santa Doutrina, vinde comunicar-vos
    comigo, certa de que me esforçarei por aproveitar-vos os ensinamentos. – R.
    Lembra-te da recomendação que vou fazer e não te afastes dela jamais. Procura
    sempre ser caridoso na medida de tuas forças; compreendes a caridade tal como
    deve ser praticada em todos os atos da vida. Não tenho necessidade, por
    conseguinte, de aconselhar-te uma coisa da qual podes tu mesmo ser o juiz;
    todavia, dir-te-ei que sigas a voz da consciência, a qual jamais te enganará,
    desde que a consultes sinceramente. Não te iludas com as missões a cumprir;
    pequenos e grandes, cada qual tem a sua missão. Penosa foi a minha, porém, eu
    fazia jus a tal punição, em conseqüência das precedentes existências, como
    confessei ao bom presidente da Sociedade-máter, de Paris, que um dia vos há de
    congregar a todos. Esse dia vem menos longe do que supões, pois o Espiritismo
    caminha a passos largos, apesar de todos os óbices que se lhe antepõem. Segui,
    pois, sem temores, fervorosos adeptos; segui, que os vossos esforços serão
    coroados por outros tantos êxitos. Que vos importa o que de vós possam dizer?
    Colocai-vos acima da critica irrisória, a qual recairá sobre os próprios
    adversários do Espiritismo.

    Ah! os orgulhosos! julgam-se fortes pensando poder aniquilar-vos, mas… bons
    amigos, tranqüilizai-vos e não receeis enfrentá-los, porque são menos
    invencíveis do que porventura possais supor. Dentre eles, há muitos receosos de
    que a verdade lhes venha deslumbrar os olhos. Esperai, que acabarão por vir
    auxiliar a coroação da obra. Julienne-Marie.

      Nota – Aqui está um fato repleto de ensinamentos. Quem se dignar meditar
      sobre estas três comunicações, nelas encontrara condensados todos os grandes
      princípios do Espiritismo.

    É uma justiça essa que está ao alcance de todos.

    Profundo pensamento é também esse que atribui as calamidades coletivas à
    infração das leis divinas, porque Deus castiga os povos tanto quanto os
    indivíduos. Realmente, pela prática da caridade, as guerras e as misérias
    acabariam por ser eliminadas. Pois bem, a prática dessa lei conduz ao
    Espiritismo e, quem sabe, será essa a razão de ter ele tantos e tão acérrimos
    inimigos? As exortações desta filha, aos pais, serão acaso as de um demônio?

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    FRANÇOISE VERNHES

    Esta era cega de nascimento e filha de um rendeiro das cercanias de Tolosa.
    Faleceu em 1855, aos 45 anos.

    Ocupava-se constantemente com o ensino do catecismo aos meninos,
    preparando-os para a primeira comunhão.

    Mudado o catecismo, nenhuma dificuldade lhe sobreveio em ensinar o novo, por
    conhecê-los ambos de cor. De regresso de longa excursão em tarde invernosa, na
    companhia de uma tia, era-lhe preciso atravessar sombria floresta por caminhos
    lamacentos. Fazia-se mister a maior precaução para que as duas mulheres se não
    despenhassem nos fossos. Nesta contingência, querendo a tia dar-lhe a mão, ela
    disse: “Não vos incomodeis comigo, não corro risco algum, visto como tenho aos
    ombros uma luz que me guia. Segui-me, pois, que serei eu a conduzir-vos.” Assim
    terminaram a jornada sem acidente, conduzindo a cega a tia que tinha bons olhos.

    Evocação em Paris, em maio de 1865:

    – P. Quereis dizer-nos que luz seria essa a guiar-vos naquela noite trevosa e
    só vista por vós? – R. Quê! Pois as pessoas como vós, em contínuas relações com
    os Espíritos, têm necessidade de explicação sobre tal fato? Era o meu anjo de
    guarda quem me guiava.

    – P. Essa era também a nossa opinião, mas desejávamos vê-la confirmada. Mas
    sabíeis naquela ocasião que era o vosso anjo de guarda quem vos conduzia? – R.
    Confesso que não, posto acreditasse numa intervenção do céu. Eu orara por tanto
    tempo para que o Pai celestial se apiedasse de mim… É tão cruel a cegueira…
    Sim, ela é bem cruel, mas também reconheço ser justa.

    “Aqueles que pecam pelos olhos, por eles devem ser punidos; e assim deve
    suceder quanto a todas as outras faculdades do homem, que o levam ao abuso. Não
    procureis, portanto, nos inúmeros sofrimentos humanos, outra causa que lhes não
    seja a própria e natural, a expiação.

    “Esta, contudo, só é meritória quando suportada com humildade, podendo ser
    suavizada por meio da prece, pela atração de influências espirituais que,
    protegendo os réus da penitenciária humana, lhes infundam esperança e conforto.

    – P. Dedicada ao ensino das crianças pobres, tivestes dificuldade em adquirir
    os conhecimentos do catecismo, quando o mudaram? – R. Ordinariamente, os cegos
    têm outros sentidos duplos, se assim se pode dizer. A observação não é uma das
    menores faculdades da sua natureza.

    “A memória lhes é qual armário onde se colocam coordenados, e para sempre, os
    ensinos referentes às suas aptidões e tendências. E porque nada do exterior pode
    perturbar esta faculdade, o seu desenvolvimento pode ser notável, pela educação.
    Quanto a mim, agradeço a Deus o haver-me concedido que tal faculdade me
    permitisse preencher a missão que levava, junto dessas crianças, e que
    constituía também uma reparação do mau exemplo que lhes dera em anterior
    existência. Tudo é assunto sério para os espíritas; basta, para afirmá-lo, olhar
    ao derredor deles. Os meus ensinos lhes seriam porventura mais úteis do que se
    se deixassem levar pelas sutilezas filosóficas de certos Espíritos, que se
    divertem com lisonjear-lhes o orgulho em frases tão bombásticas quão vazias de
    sentido.

    – P. Pela vossa conduta terrena, tivemos uma prova do vosso adiantamento
    morai, e agora, pela vossa linguagem, temos a de que esse adiantamento também é
    intelectual. – R. Muito me resta por adquirir; há, porém, muita gente que na
    Terra passa por ignorante, só porque tem a inteligência embotada pela expiação.
    Com a morte se rasga o véu, e freqüentemente os ignorantes são mais instruídos
    do que os desdenhosos da sua ignorância. Crede que o orgulho é a pedra de toque
    para o conhecimento dos homens.

    “Todos os que possuírem coração acessível à lisonja, demasiado confiante na
    sua ciência, estão no mau caminho; em geral são hipócritas e, portanto,
    desconfiai deles.

    “Sede humildes qual o foi o Cristo e, como ele, com amor carregai a vossa
    cruz, a fim de subirdes ao reino dos céus. Françoise Vernhes.”

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    ANNA BITTER

    A perda de um filho adorado é motivo de acerbo pesar; ver, porém, o filho
    único, alvo de todas as esperanças, depositário de todas as afeições, definhar a
    olhos vistos e sem sofrimentos, por causas desconhecidas, por um desses
    caprichos da Natureza que zombam da Ciência e, depois de esgotar todos os
    recursos, não haver por compensação uma esperança sequer; suportar essa angústia
    de todos os momentos, por longos anos, sem lhe prever o termo, é um suplício
    cruel que a fortuna agrava em vez de suavizar, dada a impossibilidade de vê-la
    fruída pelo ente adorado.

    Esta era a situação do pai de Anna Bitter, que por isso se entregou a um
    íntimo desespero. O caráter se lhe exasperava ante tal espetáculo, a cortar-lhe
    o coração, e cujas conseqüências não poderiam deixar de ser fatais, ainda que
    indeterminadas. Um amigo da família, adepto do Espiritismo, julgou dever
    interrogar a respeito o seu protetor espiritual, e obteve a seguinte resposta:

    “Muito desejo explicar-te o caso que ora te preocupa, mesmo porque sei que a
    mim não recorres por curiosidade indiscreta, mas pelo interesse que te merece
    aquela pobre criança, e ainda porque, crente na justiça divina, tu só terás a
    ganhar com isso. Todos os que acarretam sobre si a justiça do Senhor devem
    curvar a fronte sem maldições nem revoltas, porque não há castigo sem causa. A
    pobre criança, cuja sentença de morte fora suspensa por Deus, em breve deverá
    regressar ao nosso meio, visto como mereceu a divina compaixão; quanto ao seu
    pai, esse homem infeliz, tem de ser punido na sua única afeição mundana, visto
    haver zombado da confiança e dos sentimentos de quantos o rodeiam. Por momentos
    o seu arrependimento tocou o Onipotente e a morte sustou o golpe sobre o ente
    que lhe é tão caro; mas, para logo veio a revolta, e o castigo sempre acompanha
    a revolta. Em tais condições, é felicidade ainda o ser punido nesse mundo! Meus
    amigos, orai por essa pobre criança, cuja juventude vai dificultar-lhe os
    últimos momentos. Nesse ser a seiva é tão abundante, que, apesar do seu
    depauperamento orgânico, a alma terá dificuldade em se lhe desprender. Oh!
    orai… Mais tarde ela também vos auxiliará e consolará, visto que o seu
    Espírito é mais adiantado do que os que a rodeiam. Para que o seu desprendimento
    seja auxiliado, coube-me, como graça especial do Senhor, o poder orientar-vos a
    respeito.”

      Nota – Depois de haver expiado o insulamento, morreu o pai de Anna Bitter.
      A seguir, damos de uma e outro as primeiras comunicações imediatas às
      respectivas desencarnações:

    Da filha. – “Obrigado, meu amigo, à vossa intercessão por esta criança, bem
    como por terdes seguido os conselhos do vosso bom guia. Sim. Graças às vossas
    preces, mais fácil me foi deixar o invólucro terrestre, porque meu pai… Ah!
    esse não orava, maldizia! Entretanto, não lhe quero mal por isso: – conseqüência
    da grande ternura que me votava. A Deus rogo que lhe conceda luzes antes de
    morrer; e, quanto a mim, o incito e animo, porque me assiste a missão de lhe
    suavizar os últimos momentos. Vezes há nas quais parece que um raio de luz
    divina baixa até ele e o comove; contudo, isso não passa de fugaz clarão, que
    para logo o deixa entregue às primitivas idéias. Ele tem consigo um gérmen de
    fé, mas tão sufocada pelos mundanos interesses, que só poderá vingar por meio de
    novas e mais cruéis provações. Pelo que me diz respeito, apenas cumpria suportar
    um resto de prova, de expiação, e assim é que ela não foi nem muito dolorosa nem
    muito difícil. A minha singular enfermidade não acarretava sofrimentos; eu era
    como que instrumento da provação de meu pai, o qual, por me ver em tal estado,
    sofria mais do que eu mesma. Além disso, eu tinha resignação e ele não. Hoje sou
    recompensada. Deus, graciosamente, abreviou-me a estada na Terra – o que aliás
    lhe agradeço. Feliz entre os bons Espíritos que me cercam, todos cumprimos
    satisfeitos as nossas obrigações, mesmo porque a inatividade seria um cruel
    suplício.”

    O Pai (um mês depois da morte). – Evocando-vos, temos por fim nos informarmos
    da vossa situação no mundo dos Espíritos e ser-vos úteis na medida das nossas
    forças. – R. O mundo dos Espíritos? Não o vejo… O que vejo são homens
    conhecidos, que comigo não se preocupam e tampouco me deploram a sorte, antes
    parecendo-me contentes de se verem livres de mim.

    – P. Mas fazeis uma idéia exata da vossa condição? – R. Perfeitamente: por
    algum tempo julguei-me ainda no vosso mundo, mas hoje sei muito bem que não mais
    lhe pertenço.

    – P. Por que, então, não podeis divisar outros Espíritos que vos rodeiam? –
    R. Ignoro-o, conquanto tudo esteja bem claro em torno de mim.

    – P. Ainda não vistes a vossa filha? – R. Não, ela está morta; procuro-a,
    chamo por ela inutilmente. Que vácuo horrível que a sua morte me deixou na
    Terra! Morrendo, julgava encontrá-la, mas nada! O insulamento sempre e sempre!
    ninguém que me dirija uma palavra de consolação e de esperança. Adeus, vou
    procurar minha filha.

    O guia do médium. – Este homem não era ateu nem materialista, mas daqueles
    que crêem vagamente, sem se preocuparem de Deus e do futuro, empolgados como são
    pelos interesses terrenos. Profundamente egoísta, tudo sacrificaria para salvar
    a filha, mas também sem o mínimo escrúpulo sacrificaria os interesses de
    terceiros em seu proveito pessoal. Por ninguém se interessava, além da sua
    filha. Deus o puniu da forma como o vistes, arrebatando-lhe da Terra a
    consolação única; e como ele se não arrependesse, o seqüestro subsiste no mundo
    espiritual. Não se interessando por ninguém aí, também aqui ninguém por ele se
    interessa. Permanece só, insulado, abandonado, e nisso consiste a sua punição.
    Mas, que faz ele em tais conjunturas? Dirige-se a Deus? Arrepende-se? Não:
    murmura sempre, blasfema até, faz, em uma palavra, o que fazia na Terra.
    Ajudai-o, pois, pela prece como pelo conselho, a desanuviar-se da sua cegueira.

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    JOSEPH MAÎTRE, o cego

    Pertencia à classe mediana da sociedade e gozava de modesta abastança, ao
    abrigo de quaisquer privações. Os pais o destinavam à indústria e deram-lhe boa
    educação, porém, aos 20 anos, ele perdia a visão. Com perto de 50, veio
    finalmente a falecer, isto em 1845. Dez anos antes, fora acometido por outra
    enfermidade que o deixou surdo, de modo que só pelo tato mantinha relações com o
    mundo dos encarnados. Ora, não ver, já é um suplício; não ver e não ouvir é
    duplicado suplício, principalmente para quem depois de fruir as faculdades de
    tais sentidos tiver de suportar essa dupla privação. Qual a causa de sorte tão
    cruel? Certo não era a sua última existência, sempre moldada numa conduta
    exemplar. Assim é que sempre foi bom filho, possuidor de caráter meigo e
    benévolo, e, quando por cúmulo de infelicidade se viu privado da audição,
    aceitou resignado, sem um queixume, esta prova. Pela sua conversação,
    pressentia-se na lucidez do seu Espírito uma inteligência pouco comum. Pessoa
    que o conhecera, na presunção de que poderia receber instruções úteis,
    evocou-lhe o Espírito e obteve a seguinte mensagem, em resposta às perguntas que
    lhe dirigira:

    (Paris – 1863)

    “Agradeço, meus amigos, o terdes lembrado de mim. Pode ser que tal se não
    desse independente da suposição de proveito da minha comunicação, mas, ainda
    assim, estou certo de que motivos sérios vos animam e eis porque com prazer
    atendo ao chamado, uma vez que, por feliz, me é permitido orientar-vos. Assim
    possa o meu exemplo avolumar as provas assaz numerosas que os Espíritos vos dão
    da justiça de Deus. Cego e surdo me conhecestes, e para logo vos propusestes
    saber a causa de tal destino.

    “Eu vo-lo digo: Antes de tudo, importa dizer que era a segunda vez que eu
    expiava a privação da vista. Na minha precedente existência, em princípios do
    último século, fiquei cego aos 30 anos, em decorrência de excessos de todo o
    gênero que, arruinando-me a saúde, me enfraqueceram o organismo. Note-se que era
    já isso uma punição por abuso dos dons providenciais de que fora largamente
    cumulado. Ao invés, porém, de me atribuir a causa original dessa enfermidade,
    entendi de acusar a Providência, na qual, aliás, pouco cria. Anatematizei Deus,
    reneguei-o, acusei-o, acrescentando que, se acaso existisse, devia ser injusto e
    mau, por deixar assim penar as criaturas. Entretanto, eu deveria dar-me ainda
    por feliz, isento como estava de mendigar o pão, à feição de tantos outros
    míseros cegos como eu. Mas é que eu só pensava em mim, na privação de gozos que
    me impunham. Influenciado por idéias tais, que o cepticismo mais exaltava,
    tornei-me frenético, exigente, numa palavra, insuportável aos que comigo
    privavam. Além disso, a vida era-me um moto-contínuo, pois que eu não pensava no
    futuro – uma quimera. Depois de esgotar baldamente os recursos da Ciência e
    reputada impossível a cura, resolvi antecipar a morte: suicidei-me. Que
    despertar, então, que foi o meu, imerso nas mesmas trevas da vida! Contudo, não
    tardou muito o reconhecimento da minha situação, da minha transferência para, o
    mundo espiritual. Era um Espírito, sim, porém, cego. A vida de além-túmulo
    tornava-se-me, pois, a realidade! Procurei fugir-lhe, mas em vão… Envolvia-me
    o vácuo. Pelo que ouvia dizer, essa vida deveria ser eterna, e com ela a minha
    situação. Idéia horrenda! Eu não sofria, mas impossível é descrever as angústias
    e tormentos espirituais experimentados. Quanto teriam eles durado? Ignoro-o…
    Mas, quão longo me pareceu este tempo! Extenuado, fatigado, pude finalmente
    analisar-me a mim mesmo, e compreendi o ascendente de um poder superior, que
    sobre mim atuava, e considerei que se essa potência podia oprimir-me, também
    poderia aliviar-me. E implorei piedade. A proporção que orava e o fervor se me
    aumentava, alguém me dizia que a minha situação teria um termo. Por fim se fez a
    luz e extremo foi o meu arroubo de alegria ao entrever as claridades celestes,
    distinguindo os Espíritos que me rodeavam, sorrindo, benévolos, bem como os que,
    radiosos, flutuavam no Espaço. Ao querer seguir-lhes os passos, força invisível
    me reteve. Foi então que um deles me disse: “O Deus que negaste teve comiseração
    do teu arrependimento e permitiu-nos te déssemos a luz, mas tu só cedeste pelo
    sofrimento, pelo cansaço. Se queres participar desta felicidade aqui fruída,
    forçoso é provares a sinceridade do teu arrependimento, as boas disposições,
    recomeçando a prova terrestre em condições que te predisponham às mesmas faltas,
    porque esta nova provação deverá ser mais rude que a outra.” Aceitei pressuroso,
    prometendo não mais falir. Assim voltei à Terra nas condições que sabeis. Não me
    foi difícil compreender a situação, porque eu não era mau por índole;
    revoltara-me contra Deus, e Deus me puniu. Reencarnei trazendo a fé inata, razão
    por que não murmurei, antes aceitei a dupla enfermidade, resignado, como
    expiação que era, oriunda da soberana justiça. O insulamento dos meus
    derradeiros anos nada tinha de desesperador, porquanto me bafejava a fé no
    futuro e na misericórdia de Deus. Demais, esse insulamento me foi proveitoso,
    porque durante a longa noite silenciosa a minha alma mais livremente se alçava
    ao Eterno, entrevendo o infinito pelo pensamento. Quando, por fim, terminou o
    exílio, o mundo espiritual só me proporcionou esplendores, inefáveis gozos. O
    retrospecto ao passado faz que me julgue muito feliz, relativamente, pelo que
    dou graças a Deus; quando, porém, olho para o futuro, vejo a grande distância
    que ainda me separa da completa felicidade.

    Tendo já expiado, ainda me faltava reparar. A última encarnação só a mim
    aproveitou, pelo que espero recomeçar brevemente por existência que me permita
    ser útil ao próximo, reparando por esse meio a inutilidade anterior. E só assim
    me adiantarei na boa senda, sempre franqueada aos Espíritos possuídos de
    boa-vontade.

    Amigos, eis aí a minha história; e se o meu exemplo puder esclarecer
    quaisquer dos meus irmãos encarnados, de modo a evitarem a má ação que
    pratiquei, terei por principiado o resgate da minha dívida. Joseph.”

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    Como que pode ser justo punir uma pessoa SEM ELA SEQUER SABER PORQUE ESTÁ SENDO PUNIDA?

    Ao reencarnar, a pessoa perde todas as memórias.

    A pessoa não faz A MÍNIMA IDÉIA de porque está sofrendo, do que é que ela fez na vida passada para estar “pagando” agora.

    Como isso pode ser justo?

    E que pedagogia é essa? Como é que você vai “aprender a lição” se você nem sabe o que foi que você fez de errado???

    AvatarLoki
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    É justo, pois o próprio espírito arrependido, que escolheu durante a erraticidade (período entre uma encarnação e outra) qual seria sua sorte na encarnação presente, e ao morrer novamente a alma terá conhecimento das vidas anteriores e saberá que não foi punida injustamente.

    Durante as penas da vida presente é comum a alma não aceitar o porquê está sendo punida por desconhecer suas faltas anteriores. E muitas vezes assume novas dívidas por revolta e acaba desacreditando e blasfemando contra Deus. Mas ao morrer novamente, o esquecimento temporário é dissipado, e vem a tona as memórias das vidas passadas e o espírito ao compreender que cometeu erros se arrepende, e escolhe novas provas para a futura encarnação.
    A Lei do Esquecimento vem da Lei do Amor. Pois como iríamos amar nosso próximo (pais, irmãos, parentes, amigos e desconhecidos) se lembrássemos das faltas que eles fizeram a nós em outras vidas (assassinato, traição, etc.)?
    Se não houvesse esquecimento, mais difícil seria evoluirmos moralmente, e nunca iríamos conseguir por em prática esta máxima do Evangelho: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” Marcos 12:31
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    Ao atingir certo estágio evolutivo, a alma que sofre em sua encarnação presente, não mais se revolta mas se resigna e compreende que: se está sofrendo, é porque algo ela fez.

    Ao voltar ao mundo espiritual, é recebida com júbilo pelos espíritos benfeitores. Terá vencido mais uma etapa na senda do progresso. E poderá então viver experiências enquanto espírito em planos superiores, e encarnar em mundos felizes onde não há mais sofrimentos.
    Existem diversos tipos de mundos, que podem ser divididos basicamente em 5 categorias

    Mundos Primitivos ou Inferiores (com espécies humanas primitivas, destinados às primeiras encarnações dos espíritos que são criados todos iguais: simples e ignorantes); 

    Mundos de Provas e Expiações (Como a Terra, destinados a encarnação de espíritos intermediários, característica predominante: Miséria e Perversidade); 

    Mundos de Regeneração (onde almas que ainda têm o que expiar adquirem novas forças e repousam das fadigas); 

    Mundos Felizes (Onde o bem supera o mal);

    Mundos Celestes ou Divinos (ondem vivem os espíritos puros que atingiram a perfeição moral e intelectual).
    A Terra pertence à categoria de Mundo de Provas e Expiações, por isso encontramos tanto sofrimento, mas nosso planeta está em uma fase de transição (Transição Planetária) se transformando em um Mundo de Regeneração. Aqueles espíritos que não acompanharem a evolução do planeta (criminosos, etc) irão reencarnar em outros mundos de Provas e Expiações, e no futuro haverá novamente outra transição e a Terra estará na categoria de Mundos Felizes.
    O Universo é um imenso educandário, e cada mundo uma sala de aula, cada espírito reencarna em um mundo compatível com seu estágio evolutivo.
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    55. Todos os globos que circulam no espaço são habitados?

    Sim e o homem terreno está bem longe de ser, como acredita, o primeiro em inteligência, bondade e perfeição. Há, entretanto, homens que se julgam espíritos fortes e imaginam que só este pequeno globo tem o privilégio de ser habitado por seres racionais. Orgulho e vaidade! Crêem que Deus criou o Universo somente para eles.

    Comentário de Kardec: Deus povoou os mundos de seres vivos, e todos concorrem para o objetivo final da Providência. Acreditar que os seres vivos estejam limitados apenas ao ponto que habitamos no Universo seria pôr em dúvida a sabedoria de Deus, que nada fez de inútil e deve ter destinado esses mundos a um fim mais sério do que o de alegrar os nossos olhos. Nada, aliás, nem na posição, no volume ou na constituição física da Terra, pode razoavelmente levar-nos à suposição de que tenha o privilégio de ser habitada, com exclusão de tantos milhares de mundos semelhantes.

    56. A constituição física dos diferentes globos é a mesma?

    — Não; eles absolutamente não se assemelham.

    57. A constituição física dos mundos não sendo a mesma para todos, os seres que os habitam terão organização diferente?

    — Sem dúvida, como entre vós os peixes são feitos para viver na água e os pássaros, no ar.

    58. Os mundos mais distanciados do Sol são privados de luz e calor, de vez que o Sol lhes aparece apenas como uma estrela?

    — Acreditais que não há outras fontes de luz e de calor, além do Sol? Não tendes em conta a eletricidade, que em certos mundos desempenha umpapel desconhecido para vós e bem mais importante que o que lhe cabe naTerra? Aliás, não dissemos que todos os seres vivam da mesma maneira quevós, com órgãos semelhantes aos vossos.

    Comentário de Kardec: As condições de existência dos seres nos diferentes mundos devem ser apropriadas ao meio em que têm de viver. Se nunca tivéssemos visto peixes, não compreenderíamos como alguns seres pudessem viver na água. O mesmo acontece com outros mundos, que sem dúvida contêm elementos para nós desconhecidos. Não vemos na Terra as longas noites polares iluminadas pela eletricidade das auroras boreais? Que haveria de impossível para a eletricidade ser mais abundante que na Terra, desempenhando um papel geral cujos efeitos podemos compreender? Esses mundos podem conter em si mesmos as fontes de luz e calor necessárias aos seus habitantes. [Livro dos Espíritos]

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     172. Nossas diferentes existências corpóreas se passam todas na Terra?

      — Não mas nos diferentes mundos. As deste globo não são as primeiras nem as últimas, mas as mais materiais e distanciadas da perfeição.

     173. A cada nova existência corpórea a alma passa de um mundo a outro, ou pode viver muitas vidas num mesmo globo?

      Pode reviver muitas vezes num mesmo globo, se não estiver bastante adiantada para passar a um mundo superior.

     173 – a) Podemos então reaparecer muitas vezes na Terra?

     — Certamente.

     173 – b) Podemos voltar a ela depois de ter vivido em outros mundos?

     — Seguramente; podeis ter já vivido noutros mundos bem como na Terra.

     174. É uma necessidade reviver na Terra?

     — Não. Mas, se não progredirdes, podeis ir para outro mundo que não seja melhor, e que pode mesmo ser pior.

     175. Há vantagem em voltar a viver na Terra?

     Nenhuma vantagem particular, a não ser que se venha em missão, pois então se progride, como em qualquer outro mundo.

     175 – a) Não seria melhor continuar como Espírito?

    — Não, não! Ficar-se-ia estacionário, e o que se quer é avançar para Deus.

      176. Os Espíritos, depois de se haverem encarnado em outros mundos, podem encarnar-se neste, sem jamais terem passado por aqui?

    — Sim, como vós em outros globos. Todos os mundos são solidários; o que não se faz num, pode-se fazer noutro.

     176 – a) Assim, existem homens que estão na Terra pela primeira vez?

    — Há muitos, e em diversos graus.

     176 – b) Pode-se reconhecer, por um sinal qualquer, quando um Espírito se encontra pela primeira vez na Terra?

    — Isso não teria nenhuma utilidade.

     177. Para chegar à perfeição e à felicidade suprema, que é o objetivo final de todos os homens, o Espírito deve passar pela série de todos os mundosque existem no Universo?

    — Não, porque há muitos mundos que se encontram no mesmo grau e onde os Espíritos nada aprenderiam de novo.

     177 a) Como então explicar a pluralidade de sua existência num mesmo globo?

    — Eles podem ali se encontrar de cada vez, em posições bastante diferentes, que serão outras tantas ocasiões de adquirir experiência.

     178. Os Espíritos podem renascer corporalmente num mundo relativamente inferior àquele em que já viveram?

    — Sim, quando têm uma missão a cumprir, para ajudar o progresso; e então aceitam com alegria as tribulações dessa existência porque lhes fornecem um meio de se adiantarem.

      178 – a) Isso não pode também acontecer como expiação, e Deus não pode enviar os Espíritos rebeldes a mundo inferiores?

    — Os Espíritos podem permanecer estacionários, mas nunca retrogradas; sua punição, pois, é a de não avançar e ter recomeçar as existências mal empregadas, no meio que convém à sua natureza.

      178 – b) Quais são os que devem recomeçar a mesma existência?

    — Os que faliram em sua missão ou em suas provas.

      179. Os seres que habitam cada mundo estão todos no mesmo grau de perfeição?

    — Não. É como na Terra: há os que estão mais ou menos adiantados.

      180. Ao passar deste mundo para outro, o Espírito conserva a inteligência que tinha aqui?

    — Sem dúvida, pois a inteligência nunca se perde. Mas ele pode não dispor dos mesmos meios para manifestá-la. Isso depende da sua superioridade e do estado do corpo que adquirir. (Ver influência do organismo, item 367).

      181. Os seres que habitam os diferentes mundos têm corpos semelhantes aos nossos?

    — Sem dúvida que têm corpos, porque é necessário que o Espírito se revista de matéria para agir sobre ela; mas esse envoltório é mais ou menos material, segundo o grau de pureza a que chegaram os Espíritos, e é isso que determina as diferenças entre os mundos que temos de percorrer. Porque há muitas moradas na casa de nosso Pai, e muitos graus, portanto. Alguns o sabem e têm consciência disso aqui na Terra, mas outros anda sabem.

      182. Podemos conhecer exatamente o estado físico e moral dos diferentes mundos?

     — Nós, Espíritos, não podemos responder senão na medida do vosso grau de evolução. Quer dizer que não devemos revelar estas coisas a todos, porque nem todos estão em condições de compreendê-las, e elas os perturbariam.

     Comentário de Kardec: À medida que o Espírito se purifica, o corpo que o reveste, aproxima-se igualmente da natureza espírita. A matéria se torna menos densa, ele já não se arrasta penosamente pelo solo, suas necessidades físicas são menos grosseiras, os seres vivos não têm mais necessidade de se destruírem para se alimentar. O Espírito é mais livre e tem, para as coisas distanciadas, percepções que desconhecemos: vê pelos olhos do corpo aquilo que só vemos pelo pensamento.

     A purificação dos Espíritos reflete-se na perfeição moral dos seres em que estão encarnados. As paixões animais se enfraquecem, o egoísmo dá lugar ao sentimento fraternal. É assim que, nos mundos superiores ao nosso, as guerras são desconhecidas, os ódios e as discórdias não têm motivo, porque ninguém pensa em prejudicar o seu semelhante. A intuição do futuro, a segurança que lhes dá uma consciência isenta de remorsos fazem que a morte não lhes cause nenhuma apreensão: eles a recebem sem medo e como uma simples transformação.

     A duração da vida, nos diferentes mundos, parece proporcional ao seu grau de superioridade física e moral, e isso é perfeitamente racional. Quanto menos material é o corpo, está menos sujeito às vicissitudes que o desorganizam, quanto mais puro é o Espírito, menos sujeito às paixões que o enfraquecem. Este é ainda um auxílio da providência, que deseja, assim, abreviar os sofrimentos.

     183. Passando de um mundo para outro, o Espírito passa por nova infância?

    — A infância é por toda parte uma transição necessária, mas não é sempre tão ingênua como entre vós.

     184. O Espírito pode escolher o novo mundo em que vai habitar?

    — Nem sempre; mas pode pedir e obter o que deseja, se o merecer. Porque os mundos só são acessíveis aos Espíritos de acordo com o grau de sua elevação.

     184 – a) Se o Espírito nada pede, o que determina o mundo onde irá reencarnar?

     — O seu grau de elevação.      

     185. O estado físico e moral dos seres vivos é perpetuamente o mesmo em cada globo?

     — Não; os mundos também estão submetidos à lei do progresso. Todoscomeçaram como o vosso, por um estado inferior, e a Terra mesma sofrerá uma transformação semelhante, tornando-se um paraíso terrestre, quando os homens se fizerem bons.

    Comentário de Kardec: É assim que as raças que hoje povoam a Terra desaparecerão um dia e serão substituídas por seres mais e mais perfeitos. Essas raças transformadas sucederão à atual, como esta sucedeu a outras que eram mais grosseiras.

     186. Há mundos em que o Espírito, deixando de viver num corpo material, só tem por envoltório o períspirito?

     — Sim, e esse envoltório torna-se de tal maneira etéreo que para vós é como se não existisse; eis então o estado dos Espíritos puros.

     186 – a) Parece resultar daí que não existe uma demarcação precisa entre o estado das últimas encarnações e o do Espírito puro?

     — Essa demarcação não existe. A diferença se dilui pouco a pouco e se torna insensível, como a noite se dilui ante as primeiras claridades do dia.

     187. A substância do períspirito é a mesma em todos os globos?

     — Não; é mais eterizada em uns do que em outros. Ao passar de um para outro mundo, o Espírito se reveste da matéria própria de cada um, com mais rapidez, que o relâmpago.

     188. Os Espíritos puros habitam mundos especiais ou encontram-se no espaço universal, sem estar ligados especialmente a um globo?

     — Os Espíritos puros habitam determinados mundos, mas não estãoconfinados a eles como os homens à Terra; eles podem, melhor que os outros,estar em toda parte(1).




    (1) De todos os globos que constituem o nosso sistema planetário, segundo os Espíritos, a Terra é daqueles cujos habitantes são menos adiantados, física e moralmente: Marte lhe seria ainda inferior e Júpiter muito superior em todos os sentidos. O Sol não seria um mundo habitado por seres corpóreos, mas um lugar de encontro de Espíritos superiores, que de lá irradiam seu pensamento para outros mundos, que dirigem por intermédio de Espíritos menos elevados, com os quais se comunicam por meio do fluido universal. Como constituição física, o Sol seria um foco de eletricidade. Todos os sóis, ao que parece, estariam nas mesmas condições.

    O volume e o afastamento do Sol não tem nenhuma relação necessária com o grau de desenvolvimento dos mundos, pois parece que Vênus está mais adiantado que a Terra e Saturno menos que Júpiter Muitos Espíritos que animaram pessoas conhecidas na Terra disseram estar reencarnados em Júpiter, um dos mundos mais próximos da perfeição, e é de admirar que num globo tão adiantado se encontrem homens que a opinião terrena não considerava tão elevados. Isto, porém, nada tem de surpreendente, se considerarmos que certos Espíritos que habitam aquele planeta podiam ter sido enviados à Terra, em cumprimento de uma missão que, aos nossos olhos, não os colocaria no primeiro plano; em segundo lugar, entre a sua existência terrena e a de Júpiter, podiam ter tido outras, intermediárias, nas quais se tivessem melhorado; em terceiro lugar, naquele mundo, como no nosso, há diferentes graus de desenvolvimento, e entre esses graus pode haver a distância que separa entre nós o selvagem do homem civilizado. Assim, o fato de habitarem Júpiter, não se segue que estejam no nível dos seres mais evoluídos, da mesma maneira que uma pessoa não está no nível de um sábio do Instituto, pela simples razão de morar em Paris.

    As condições de longevidade não são, por toda parte, as mesmas da Terra, não sendo possível a comparação de idades. Uma pessoa, falecida há alguns anos, quando evocada, disse haver encarnado, seis meses antes, num mundo cujo nome é desconhecido. Interpelada sobre a idade que tinha nesse mundo, respondeu: “Não posso calcular, porque não contamos o tempo como vós; além disso, o nosso meio de vida não é o mesmo; desenvolvemo-nos muito mais rapidamente; tanto assim que há apenas seis dos vossos meses nele me encontro, e posso dizer que, quando à inteligência, tenho trinta anos de idade terrena.”

    Muitas respostas semelhantes foram dadas por outros Espíritos e nada há nisso de inverossímil. Não vemos na Terra tantos animais adquirirem em poucos meses um desenvolvimento normal? Porque não poderia dar-se o mesmo com o homem, em outras esferas? Notemos, por outro lado, que o desenvolvimento alcançado pelo homem na Terra, na idade de trinta anos, talvez não seja mais que uma espécie de infância comparado ao que ele deve atingir. É preciso ter uma visão bem curta para nos considerarmos os protótipos da criação, e seria rebaixar a Divindade, acreditar que, além de nós, ele nada mais poderia criar. [Livro dos Espíritos]

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                1 – Não se turbe o vosso coração. Crede em Deus, crede também em mim. – Há muitas moradas na casa de meu pai. Se assim não fosse, eu vo-lo teria dito; pois vou preparar-vos o lugar. E depois que eu me for, e vos aparelhar o lugar, virei outra vez e tomar-vos-ei para mim, para que lá onde estiver, estejais vós também. (João, XIV:1-3).

                    2 – A Casa do Pai é o Universo. As diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infinito, oferecendo aos Espíritos desencarnados estações apropriadas ao seu adiantamento.

                    Independentemente da diversidade dos mundos, essas palavras podem também ser interpretadas pelo estado feliz dos Espíritos na erraticidade. Conforme for ele mais ou menos puro e liberto das atrações materiais, o meio em que estiver, o aspecto das coisas, as sensações que experimentar, as percepções que possuir, tudo isso varia ao infinito. Enquanto uns, por exemplo, não podem afastar-se do meio em que viveram, outros se elevam e percorrem o espaço e os mundos. Enquanto certos Espíritos culpados erram nas trevas, os felizes gozam de uma luz resplandecente e do sublime espetáculo do infinito. Enquanto, enfim, o malvado, cheio de remorsos e pesares, freqüentemente só, sem consolações, separado dos objetos da sua afeição, geme sob a opressão dos sofrimentos morais, o justo, junto aos que ama, goza de uma indizível felicidade. Essas também são, portanto, diferentes moradas, embora não localizadas nem circunscritas. [Evangelho Segundo o Espiritismo]

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    *Erraticidade: Período que compreende as experiências que o espírito tem entre o término de uma encarnação e o inicio de outra. (começa após a morte e termina quando nasce novamente, pode durar anos, décadas e até seculos, dependendo do quanto feliz ou infeliz é o espírito).

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                  3 – Do ensinamento dado pelos Espíritos, resulta que os diversos mundos possuem condições muito diferentes uns dos outros, quanto ao grau de adiantamento ou de inferioridade dos seus habitantes. Dentre eles, há os que são ainda inferiores à Terra, física e moralmente. Outros estão no mesmo grau, e outros lhe são mais ou menos superiores, em todos os sentidos. Nos mundos inferiores a existência é toda material, as paixões reinam soberanas, a vida moral quase não existe. À medida que esta se desenvolve, a influência da matéria diminui, de maneira que, nos mundos mais avançados, a vida é por assim dizer toda espiritual.

                    4 – Nos mundos intermediários, o bem e o mal se misturam, e um predomina sobre o outro, segundo o grau de adiantamento em que se encontrarem. Embora não possamos fazer uma classificação absoluta dos diversos mundos, podemos, pelo menos, considerando o seu estado e o seu destino, com base nos seus aspectos mais destacados, dividi-los assim, de um modo geral: mundos primitivos, onde se verificam as primeiras encarnações da alma humana; mundos de expiação e de provas, em que o mal predomina; mundos regeneradores, onde as almas que ainda têm o que expiar adquirem novas forças, repousando das fadigas da luta; mundos felizes, onde o bem supera o mal; mundos celestes ou divinos, morada dos Espíritos purificados, onde o bem reina sem mistura. A Terra pertence à categoria dos mundos de expiações e de provas, e é por isso que nela está exposto a tantas misérias.

                    5 – Os Espíritos encarnados num mundo não estão ligados a ele indefinidamente, e não passam nesse mundo por todas as fases do progresso que devem realizar, para chegar à perfeição. Quando atingem o grau de adiantamento necessário, passam para outro mundo mais adiantado, e assim sucessivamente, até chegarem ao estado de Espíritos puros. Os mundos são as estações em que eles encontram os elementos de progresso proporcionais ao seu adiantamento. É para eles uma recompensa passarem a um mundo de ordem mais elevada, como é um castigo prolongarem sua permanência num mundo infeliz, ou serem relegados a um mundo ainda mais infeliz, por se haverem obstinado no mal. [Evangelho Segundo o Espiritismo]

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    6 – Admira-se de haver sobre a Terra tantas maldades e tantas paixões inferiores, tantas misérias e enfermidades de toda sorte, concluindo-se que miserável coisa é a espécie humana. Esse julgamento decorre de uma visão estreita, que dá uma falsa idéia do conjunto. È necessário considerar que toda humanidade não se encontra na Terra, mas apenas uma pequena fração dela. Porque a espécie humana abrange todos os seres dotados de razão, que povoam os inumeráveis mundos do Universo. Ora, o que seria a população da Terra, diante da população total desses mundos? Bem menos que a de um lugarejo em relação a de um grande império. A condição material e moral da humanidade terrena nada tem, pois, de estranho, se levarmos em conta o destino da Terra e a natureza de sua população.

    7 – Faríamos uma idéia muito falsa da população de uma grande cidade, se a julgássemos pelos moradores dos bairros mais pobres e sórdidos. Num hospital, só vemos doentes e estropiados; numa galé, vemos todas as torpezas, todos os vícios reunidos; nas regiões insalubres, a maior parte dos habitantes são pálidos, fracos e doentes. Pois bem: consideremos a Terra como um arrabalde, um hospital, uma penitenciária, um pantanal, porque ela é tudo isso a um só tempo, e compreenderemos porque as suas aflições sobrepujam os prazeres. Porque não se enviam aos hospitais as pessoas sadias, nem às casas de correção os que não praticam crimes, e nem os hospitais, nem as casas de correção, são lugares de delícias.

                    Ora, da mesma maneira que , numa cidade, toda a população não se encontra nos hospitais ou nas prisões, assim a humanidade inteira não se encontra na Terra. E como saímos do hospital quando estamos curados, e da prisão quando cumprimos a pena, o homem sai da Terra para mundos mais felizes, quando se acha curado de suas enfermidades morais. [O Evangelho Segundo o Espiritismo]

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     elevados, há inumeráveis degraus, e entre os Espíritos puros, desmaterializados e resplandecentes de glória, é difícil reconhecer os que animaram os seres primitivos, da mesma maneira que, no homem adulto, é difícil reconhecer o antigo embrião.

    9 – Nos mundos que atingiram um grau superior de evolução, as condições da vida moral e material são muito diferentes das que encontramos na Terra. A forma dos corpos é sempre, como por toda parte, a humana, mas embelezada, aperfeiçoada, e sobretudo purificada. O corpo nada tem da materialidade terrena, e não está, por isso mesmo sujeito às necessidades, às doenças e às deteriorações decorrentes do predomínio da matéria. Os sentidos, mais sutis, têm percepções que a grosseria dos nossos órgãos sufoca. A leveza específica dos corpos torna a locomoção rápida e fácil. Em vez de se arrastarem penosamente sobre o solo, eles deslizam, por assim dizer, pela superfície ou pelo ar, pelo esforço apenas da vontade, à maneira das representações de anjos ou dos manes dos antigos nos Campos Elíseos. Os homens conservam à vontade os traços de suas existências passadas, e aparecem aos amigos em suas formas conhecidas, mas iluminadas por uma luz divina transfiguradas pelas impressões interiores, que são sempre elevadas. Em vez de rostos pálidos, arruinados pelos sofrimentos e as paixões, a inteligência e a vida esplendem, com esse brilho que os pintores traduziram pela auréola dos santos.

                    A pouca resistência que a matéria oferece aos Espíritos já bastante adiantados, facilita o desenvolvimento dos corpos e abrevia ou quase anula o período de infância. A vida, isenta de cuidados e angústias, é proporcionalmente muito mais longa que a da Terra. Em princípio, a longevidade é proporcional ao grau de adiantamento dos mundos. A morte não tem nenhum dos horrores da decomposição, e longe de ser motivo de pavor, é considerada como uma transformação feliz, pois não existem dúvidas quanto ao futuro. Durante a vida, não estando à alma encerrada numa matéria compacta, irradia e goza de uma lucidez que a deixa num estado quase permanente de emancipação, permitindo a livre transmissão do pensamento.

    10 – Nos mundos felizes, a relação de povo para povo, sempre amigáveis, jamais são perturbadas pelas ambições de dominação e pelas guerras que lhes são conseqüentes. Não existem senhores nem escravos, nem privilegiados de nascimentos. Só a superioridade moral e intelectual determina as diferentes condições e confere a supremacia. A autoridade é sempre respeitada, porque decorre unicamente do mérito e se exerce sempre com justiça. O homem não procura elevar-se sobre o seu semelhante, mas sobre si mesmo, aperfeiçoando-se. Seu objetivo é atingir a classe dos Espíritos puros, e esse desejo incessante não constitui um tormento, mas uma nobre ambição, que o faz estudar com ardor para os igualar. Todos os sentimentos ternos e elevados da natureza humana apresentam-se engrandecidos e purificados. Os ódios, as mesquinharias dos ciúmes, as baixas cobiças da inveja, são ali desconhecidos. Um sentimento de amor e fraternidade une a todos os homens e os mais fortes ajudam os mais fracos. Suas posses são correspondentes às possibilidades de aquisição de suas inteligências, mas ninguém sofre a falta do necessário, porque ninguém ali se encontra em expiação. Em uma palavra, o mal não existe.

                    11 – No vosso mundo, tendes necessidade do mal para sentir o bem, da noite para admirar a luz, da doença para apreciar a saúde. Lá, esses contrastes não são necessários. A eterna luz, a eterna bondade, a paz eterna da alma, proporcionam uma alegria eterna, que nem as angústias da vida material, nem os contatos dos maus, que ali não tem acesso, poderiam perturbar. Eis o que o Espírito humano só dificilmente compreende. Ele foi engenhoso para pintar os tormentos do inferno, mas jamais pôde representar as alegrias do céu. E isso por que? Porque, sendo inferior, só tem experimentado penas e misérias, e não pode entrever as claridades celestes. Ele não pode falar daquilo que não conhece. Mas, à medida que se eleva e se purifica, o seu horizonte se alarga e ele compreende o bem que está à sua frente, como compreendeu o mal que deixou para trás.

    12 – Esses mundos afortunados, entretanto, não são mundos privilegiados. Porque Deus não usa de parcialidade para nenhum, de seus filhos. A todos os mesmos direitos e as mesmas facilidades para chegarem até lá. Fez que todos partissem do mesmo ponto, e não dota a uns mais do que os outros. Os primeiros lugares são acessíveis a todos: cabe-lhes conquistá-los pelo trabalho, atingi-los o mais cedo possível, ou abandonar-se durante séculos e séculos no meio da escória humana. (Resumo do ensinamento de todos os Espíritos Superiores) [O Evangelho Segundo o Espiritismo]

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    SANTO AGOSTINHO

    Paris, 1862

    13 – Que vos direi, que já não conheçais, dos mundos de expiações, pois que basta considerar a Terra que habitais? A superioridade da inteligência, num grande número de seus habitantes, indica que ela não é um mundo primitivo, destinado à encarnação de Espíritos ainda mal saídos das mãos do Criador. Suas qualidades inatas são a prova de que já viveram e realizaram um certo progresso, mas também os numerosos vícios a que se inclinam são o indício de uma grande imperfeição moral. Eis porque Deus os colocou num mundo ingrato, para expiarem suas faltas através de um trabalho penoso e das misérias da vida, até que se façam merecedores de passar para um mundo mais feliz.

    14 – Não obstante, não são todos os Espíritos encarnados na Terra que se encontram em expiação. As raças que chamais selvagens constituem-se de Espíritos apenas saídos da infância, e que estão, por assim dizer, educando-se e desenvolvendo-se ao contato de Espíritos mais avançados. Vem a seguir as raças semicivilizadas, formadas por esses mesmos Espíritos em progresso. Essas são, de algum modo, as raças indígenas da Terra, que se desenvolveram pouco a pouco, através de longos períodos seculares, conseguindo algumas atingir a perfeição intelectual dos povos mais esclarecidos

    Os Espíritos em expiação aí estão, se assim nos podemos exprimir como estrangeiros. Já viveram em outros mundos, dos quais foram excluídos por sua obstinação do mal, que os tornava causa de perturbação para os bons. Foram relegados, por algum tempo, entre os Espíritos mais atrasados, tendo por missão fazê-los avançar, porque trazem uma inteligência desenvolvida e os germes dos conhecimentos adquiridos. È por isso que os Espíritos punidos se encontram entre as raças mais inteligentes, pois são estas também as que sofrem mais amargamente as misérias da vida, por possuírem mais sensibilidade e serem mais atingidas pelos atritos do que as raças primitivas, cujo senso moral é mais obtuso.

    15 – A Terra nos oferece, pois, um dos tipos de mundos expiatórios, em que as variedades são infinitas, mas têm por caráter comum servirem de lugar de exílio para os Espíritos rebeldes à lei de Deus. Nesses mundos, os Espíritos exilados têm de lutar, ao mesmo tempo, contra a perversidade dos homens e a inclemência da natureza, trabalho duplamente penoso, que desenvolve a uma só vez as qualidades do coração e as da inteligência. É assim que Deus, na sua bondade, torna o próprio castigo proveitoso para o progresso do Espírito. [O Evangelho Segundo o Espiritismo]

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